Notícia
O riso como subversão
Espetáculo “Yo, Mussolini”, de Leo Bassi, da Espanha, encerrou o Festival abordando com humor e ironia o extremismo político e ideológico
Aos 75 anos, o ator e palhaço Leo Bassi, da Espanha, nem pensa em se aposentar dos palcos e picadeiros. De uma família de origem italiana com mais de trezentos anos dedicados à arte circense, ele participou pela primeira vez do Festival Internacional de Londrina – FILO 2026. Na noite do último domingo (28/06), no Cine Teatro Ouro Verde, Bassi apresentou o espetáculo “Yo, Mussolini”, com plateia lotada, no encerramento do Festival, realizado entre os dias 12 e 28.

Com muita ironia e bom humor, o artista levou o público às gargalhadas com suas intervenções críticas sobre o extremismo político e ideológico. Paramentado como Benito Mussolini (1883 – 1945), líder do fascismo italiano, que governou a Itália de forma ditatorial de 1922 a 1943, na montagem Bassi discorre sobre fatos históricos envolvendo regimes autoritários e democráticos, mostrando como os interesses econômicos pautam os rumos da humanidade.
Há quase quatro anos em turnê com o espetáculo “Yo, Mussolini”, Bassi revelou, em conversa com a equipe de Comunicação do FILO, que foi a memória das conversas com o seu avô sobre Mussolini que o inspirou a resgatar o personagem e levar aos palcos esse debate cada vez mais atual. “A verdadeira missão do palhaço é a crítica social; é saber usar o riso para fazer as pessoas pensarem sobre a realidade”, argumentou.
E, como o clássico palhaço bufão, Bassi reafirmou que tem a missão de “incomodar” e que não precisa usar um “nariz vermelho” para isso. “Aliás, eu nunca uso nariz vermelho. Gosto de estar de cara limpa”, disse. “Também não tenho um ‘nome de palhaço’ para o meu ‘personagem’. Eu sou palhaço. O meu ‘nome de palhaço’ é ‘Leo Bassi’. Eu já nasci palhaço”, defendeu, rindo, lembrando que nasceu em Nova York enquanto a sua família estava em turnê com o circo pelos Estados Unidos.

Sucesso no TikTok – Fluente em italiano, inglês, espanhol e francês, atualmente também está aprendendo chinês. Recentemente ficou sabendo que alguns de seus vídeos estão fazendo muito sucesso, pelo TikTok, entre os chineses. “Isso é muito interessante e um ponto positivo da tecnologia. Fico feliz em constatar que consegui atualizar a arte do palhaço; não a deixei morrer”, comemora. “Se as pessoas não estão mais indo aos circos de rua, podemos fazer com que frequentem os teatros e a internet para ver palhaços. Acho que os meus avós e meus pais ficariam felizes com isso.”
Residente há alguns anos em Madri, na Espanha, Bassi revelou que possui no local um pequeno teatro onde funciona a “Igreja Patólica”, em que o centro da devoção é um pato amarelo de borracha, “um deus pequeno, das coisas pequenas, sem muito poder”, conforme explicou. No local, ainda são realizadas três “missas semanais” pelo “papa patólico” e pela “mama patólica”. “É um espaço em que podemos debater a crítica social com humor e sátira. A entrada é franca e, no final, ‘passamos o chapéu’; as pessoas podem contribuir com o que elas quiserem.”
E não é fácil manter a “Igreja Patólica”. Bassi já sofreu algumas ameaças de morte e o local foi incendiado. “Tive muita sorte de não morrer e reformamos o local após o incêndio. Sigo fazendo a minha arte e pretendo morrer trabalhando. Não trabalho pelo dinheiro. Tenho prazer pelo que eu faço e luto para que as pessoas saibam se amar e respeitar”, destacou, com o sorriso aberto, pronto para vestir o uniforme militar e subir ao picadeiro moderno.
(Ana Paula Nascimento / Equipe de Comunicação FILO)
Festival Internacional de Londrina – FILO 2026
Produção: Usina Cultural
Patrocínio Master: Petrobras – Lei Rouanet / Ministério da Cultura
Patrocínio: Prefeitura de Londrina / Secretaria Municipal da Cultura / Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic)
Apoio: Universidade Estadual de Londrina (UEL), Núcleo dos Festivais Internacionais de Artes Cênicas do Brasil.
Realização: Secretaria de Estado da Cultura do Paraná, Sistema Nacional de Cultura, Política Nacional Aldir Blanc, Ministério da Cultura/Governo Federal, Paraná Festivais.
PROJETO APROVADO PELA SECRETARIA DE ESTADO DA CULTURA – GOVERNO DO PARANÁ, COM RECURSOS DA POLÍTICA NACIONAL ALDIR BLANC DE FOMENTO À CULTURA, MINISTÉRIO DA CULTURA – GOVERNO FEDERAL.