Palhaços do Krasky Vostoka encantam mais uma vez público do FILO com suas esquetes alopradas
O estudante Guilherme Gomes participou das peripécias dos clowns - e surpreendeu (Crédito/foto: Divulgação FILO 2012)
Poucos dos que adentram o Teatro Marista para assistir a “Fakir” saberiam apontar no mapa a localização exata do Quirguistão. Dado o desconhecimento sobre o país cravado na região central da Ásia, o público resolve chamá-los simplesmente de “palhaços russos”. Assim, a fama dos cinco integrantes do Krasky Vostoka corre de boca em boca, derruba fronteiras geográficas. A trupe de clowns quirguizes apresenta-se ainda nesta quarta (20) e quinta (21), às 20h30.
Alguns, no hall do teatro, ainda lembram a participação do grupo no FILO de 1996, primeira vez que estiveram no Brasil. “Colorfull Red” foi das atrações de maior destaque naquela edição. Dezesseis anos depois, é a hora de rememorar as palhaçadas e desvendar as surpresas reservadas por “Fakir”, que está em cartaz exclusivamente em Londrina.
O palco caótico está abarrotado com caixas de papelão e pedaços de jornal. No cenário de fundo, feito também de jornais, o nome da Krasky Vostoka, pichado, confere o clima rock’n roll com o qual os quatro clowns invadem a cena. A partir daí, tudo é possível. A boca de cena não é o limite para as palhaçadas destes multiartistas que convocam o público para desafios divertidos e engraçados.
As risadas que arrebentam das bocas são um misto de graça e estranhamento. Afinal, não é todo dia que um palhaço mergulha no escurinho das poltronas. Segundo os integrantes do Krasky Vostoka, a intenção do espetáculo é mostrar que qualquer pessoa pode ser um faquir – um artista que se arrisca e enfrenta desafios.
“I love Brazil”, declara Ricky, o personagem do palhaço Abdullaev Khamdam. E não é falsidade cênica. O grupo, nas entrevistas e bate-papos durante o FILO, declara que o público brasileiro é o mais receptivo e caloroso do mundo.
A primeira apresentação da trupe, nesta terça (19), não desmente a opinião do diretor. Logo ali, na primeira fila, o estudante de artes cênicas Guilherme Gomes assiste ao espetáculo sem saber que será o faquir da vez. “Eu sentei na primeira fila, mas não pensei que seria um alvo fácil para os palhaços”, relembra Guilherme.
Em uma das várias esquetes engraçadas, Khamdam prepara-se para enfrentar um arriscado número: mergulhar em um copo d’água. O palhaço, engravatado com a frase “sex instructor”, despe-se pouco a pouco entre assovios e gritos dos espectadores. Ele aponta para Guilherme, quer um companheiro para o salto mortal.
Corajoso, o estudante sobe no palco e, para a surpresa de todos – e talvez do próprio palhaço – fica só de cueca antes do mergulho. “Eu fiquei assustado por estar na frente de tanta gente. Tenho vergonha de tirar a roupa, mas, no embalo do espetáculo, não pensei”, explica.
Após o instante de descrença, o público cai na risada. Impossível não embarcar no universo mágico inventado por estes palhaços – discípulos da linhagem teatral de clowns russos. Guilherme, além do reconhecimento dos amigos da faculdade, ganha de Khamdam uma camiseta oficial do Krasky Vostoka. “É o meu troféu. Foi a experiência mais maluca e importante que aconteceu comigo no FILO”, orgulha-se o estudante.
Afora as brincadeiras com os espectadores, a trupe desfila habilidosos números de artes marciais, malabarismos e mímica. Qualquer ocasião, como um jogo de sinuca ou um rápido pipi no banheiro masculino, torna-se motivo para as piadas mais divertidas. Toda a movimentação é acompanhada por um jogo vertiginoso de sons e músicas.
As salvas de palmas em cena aberta mostram que Londrina, mais uma vez, recebe o Krasky Vostoka de braços abertos. O riso, afinal, é uma linguagem universal – para quirguizes, russos ou brasileiros.
(Renato Forin Jr.)
FAKIR
Krasky Vostoka (Quirguistão)
Dias: 19, 20 e 21de junho
Horário: 20h30
Local: Teatro Marista (Rua Cristiano Machado, 240)
Duração: 75 minutos
Classificação etária: livre
Gênero: Clown