Oficinas de cultura e arte
Levar a arte de representar muito além das salas de espetáculos e dos palcos alternativos e colocá-la à disposição da comunidade. Não apenas como plateia, mas como agentes do processo. Esse é um dos principais objetivos dos Projetos Socioculturais que o FILO desenvolve paralelo à sua grade de programação de espetáculos. Nesta edição, o festival desenvolveu quatro diferentes projetos, que tiveram início antes mesmo de sua abertura oficial. “Os projetos são uma maneira de levar informações, que muitas vezes estão dentro das academias, para que as pessoas que participam possam assimilar tudo isso de maneira prática e reproduzi-las dentro de suas comunidades”, analisa a coordenadora dos projetos, Darlene Kopinski.
O projeto “Raízes, Racines...” é uma continuidade do trabalho desenvolvido há cinco anos pela Companhia Cristal/Ponto de Cultura do Centro de Produtores Independentes de Arte e Cultura (Cepiac). O objetivo é fortalecer as matrizes africanas na cultura popular brasileira. Nesta edição, o projeto se desenvolveu em 19 dias de oficinas de dança e percussão – entre os dias 7 e 24 de junho - ministradas pelo bailarino Gérard Diby, da Costa do Marfim, e pelo percussionista Mamadou Traore, do Senegal. O projeto contou com a participação de 11 bailarinas e instrumentistas da Cia. Cristal. O resultado do trabalho originou o espetáculo de dança com o mesmo nome, que foi apresentado na Concha Acústica de Londrina, no dia 25, e no Parque Zezão, em Cambe, no dia 26.
Darlene observa que este projeto, por ser o mais antigo desenvolvido pelo FILO, já começa a render seus frutos, ou seja, as informações que o grupo obteve ao longo desses cinco anos, já começam a ser repassadas pela comunidade por seus próprios integrantes. As bailarinas da Cia. Cristal Thaise Pereira da Silva e Flávia Paes estão dando aulas para pessoas do bairro onde está instalado o grupo, e para pessoas de outras comunidades. “Neste ano, duas professoras do ensino médio tiveram aulas com elas. E no próximo mês de agosto, elas vão para Itapeva (SP) para repassar o que aprenderam a um centro de cultura afro-brasileira da cidade. A rede municipal de ensino de Cambé também já se interessou pelo trabalho do grupo”, comenta.
“Mamulengos na Terceira Idade” foi outra oficina realizada pelo FILO neste ano. O trabalho foi desenvolvido pelo Grupo de Teatro Mamulengo Sem Fronteiras, de Taguatinga (DF), que capacitou cinco senhoras da terceira idade de Londrina. A oficina, realizada em seis dias, resultou em um espetáculo de mamulengos, que foi apresentado no gramado do Zerão no dia 13 de junho e atraiu cerca de 200 pessoas. “Agora trabalhamos na elaboração de um projeto para montar um grupo com estas senhoras para que elas possam dar continuidade ao trabalho, utilizando a técnica do mamulengo na contação de histórias”, diz Darlene.
O outro projeto sociocultural deste ano foi “O Riso como Elemento Transformador”, ministrado pelo ator Lucciano Draetta, do Circo Navegador, de São Paulo (SP). Em uma oficina ministrada para 13 pessoas portadoras de deficiências visuais, da Associação de Deficientes Visuais de Londrina (ADVLON), Draetta repassou técnicas de interpretação de picadeiro, gestual do palhaço e reflexões sobre a expressão do corpo e voz. Ao final de 14 dias de trabalho - de 7 a 19 de junho -, o grupo montou um espetáculo que foi apresentado aos alunos do Colégio Estadual Vicente Rijo, do SESC e da Escola Municipal do Conjunto Aquiles Stenghel Guimarães.
No projeto “História Viva”, outro que integrou a programação formativa do FILO de 23 a 25 de junho, a psicodramista Martha Lemos de Carvalho capacitou cinco seminaristas da Pequena Missão para Surdos com técnicas de comunicação que vão além da Libras (Língua Brasileira de Sinais). O grupo vai aplicar o que aprendeu nos três dias de oficina em um trabalho que realiza com cerca de 20 jovens portadores de deficiência auditiva, que deverão montar esquetes teatrais.
Serviço:
FILO 2010 – Festival Internacional de Londrina – De 10 a 27 de junho.
Realização: Àmen (Associação dos Amigos da Educação e Cultura Norte do Paraná) e Universidade Estadual de Londrina (UEL). Patrocínio: Petrobras, Prefeitura de Londrina, FUNARTE, Caixa Econômica Federal, Copel/Governo do Estado do Paraná, Governo Federal - Ministério do Turismo, Ministério da Cultura / Lei de Incentivo à Cultura. Ingressos: À venda no Royal Plaza Shopping (Rua Mato Grosso, 310) – ponto exclusivo. Bilheteria: (43) 3344-6197
Informações: (43) 3324-9202



