Atração cultural
Os vários idiomas, sotaques e tipos físicos que circulam pelas ruas não deixam mentir. Londrina ganha ares cosmopolitas na época do FILO. Durante os dezoito dias que agitaram culturalmente a cidade, o Festival recebeu não só grupos, companhias, artistas e especialistas das artes cênicas, mas também um vasto público vindo de diversas regiões do Brasil atraídos pela programação deste que é o festival mais antigo do gênero na América Latina.
Além das montagens, as Atividades Formativas propiciaram que estudantes e profissionais ligados às artes cênicas fizessem da cidade um ponto de encontro, aprendizagem e troca de experiências.
É o caso do grupo “VemKmeVer”, de Tenente Portela (RS), que encarou uma viagem de quase 800 km para participar dos espetáculos e da oficina de Introdução às Técnicas Circenses, ministrada na Casa de Cultura da UEL. Os adolescentes da trupe permaneceram em Londrina por cerca de cinco dias com uma agenda repleta de eventos artísticos ligados ao Festival.
De Maringá (PR), partiram dois ônibus com cerca de 90 pessoas nos dias 13 e 19 de junho. Já é o terceiro ano que o professor de teatro e produtor cultural Márcio Alex Pereira (31), junto de seu sócio Murilo Lazarin, organiza as excursões para o FILO. Ele traz alunos de quatro escolas maringaenses não só para assistir aos espetáculos, mas também para que acumulem experiências e informações com a intenção de fomentar discussões em sala de aula. De acordo com Márcio, o teatro é disciplina constante na grade curricular de alguns colégios da cidade.
“É uma diversão, mas com o objetivo de tirar reflexões. O FILO é meu primeiro argumento de que se pode fazer um teatro bem-feito”, explica o professor. Ao longo dos três anos, os grupos de estudantes conduzidos por Márcio já tiveram oportunidade de assistir a trabalhos internacionalmente reconhecidos como os de Peter Brook (Inglaterra) e da Cia. Semianik (Rússia). Nesta edição do FILO, eles conferiram “A Tempestade”, “O Pato Selvagem”, “Dervish”, “Dies Irae; En El Réquiem de Mozart” e “Kabul”.
Segundo Márcio, os espetáculos auxiliam na percepção dos alunos sobre a importância do trabalho de ator. “É difícil explicar para o adolescente que o texto de teatro precisa ser bem dito. Quando eles vão a estes espetáculos, ajuda muito nessa compressão”, pontua.
Férias culturais
A jornalista Carla Franco (41), de São Paulo, descobriu o FILO na internet enquanto buscava opções no seu período de férias. “Eu queria ir para algum lugar do Brasil que tivesse programação cultural. Encontrei o Festival, me informei, vi a programação e resolvi vir pelo fato de ter peças internacionais e ser um lugar diferente”, relembra Carla.
A jornalista passou cinco dias na cidade – período em que pode ver espetáculos, participar de pontos de encontro e frequentar atividades formativas. “De uma forma geral, gostei da qualidade das peças e do atendimento e organização do evento”, elogia. Das seis montagens que viu, Carla destaca a alemã “LIFE.Stories” e “Aqueles Dois”, da Cia. Luna Lunera (MG). Ela também pôde conferir o bate-papo com o diretor italiano Pippo Delbono, que trouxe “Guerra” ao FILO 2010.
Um dos facilitadores que a jornalista encontrou no Festival foi a compra de ingressos. Quando desembarcou na cidade, Carla pegou instantaneamente os ingressos que adquiriu por meio de depósito em conta. Toda a transação foi feita por telefone, sem maiores burocracias.
De volta à capital paulista, ela afirma que pretendia ver também “The Cabinet” (EUA), espetáculo a que não pode assistir em Londrina por descompasso na agenda, mas que teria oportunidade de acompanhar em sua cidade pela parceria do FILO com a Mostra Internacional de Teatro do CCBB, que prevê a circulação de algumas montagens por São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.
Mesmo assim, as visitas a Londrina não param nesta edição. “Esse ano, cheguei em São Paulo e contei para o meu namorado sobre o Festival. Ele se empolgou e a gente pretende ir junto no ano que vem”, planeja.
Nas pegadas de um ídolo
Para outros, alguns caminhos disponibilizados pelo Festival são verdadeiras trilhas para a realização de um sonho. Que o diga o estudante de jornalismo Matheus Piai Pimentel (19) e a auxiliar administrativa Amanda Lemos Teixeira (23), que esperavam ansiosos o início da peça “La Noche Antes de Los Bosques” na porta no Teatro Ouro Verde neste sábado (26). Ele veio de Maringá e ela de São Paulo exclusivamente para acompanharem a apresentação do ator argentino Mike Amigorena.
Os dois são fãs assumidos de Mike e de sua namorada – a atriz Carla Peterson - e pretendiam, além de conferir a performance do astro, entregar-lhe um presente.
Matheus diz que sua admiração por Mike Amigorena nasceu principalmente a partir do trabalho do ator na novela “Los Exitosos Pells”, à qual assistia em tempo real, diariamente, pela internet. “Eu nunca consegui ver um ator ou atriz que fizesse tão bem o papel de gêmeos. Nessa novela, ele fazia dois personagens. Eram gêmeos completamente diferentes; quando você via a fisionomia, você já sabia quem era quem. É um ótimo ator, não tem o que questionar”, reitera o estudante.
Os dois viram a apresentação bem perto de Mike, em arquibancadas dispostas sobre o palco. Após a performance de interpretação e canto, o ator argentino recebeu os fãs para sessão de fotos e autógrafos.
Serviço:
FILO 2010 – Festival Internacional de Londrina – De 10 a 27 de junho.
Realização: Àmen (Associação dos Amigos da Educação e Cultura Norte do Paraná) e Universidade Estadual de Londrina (UEL). Patrocínio: Petrobras, Prefeitura de Londrina, FUNARTE, Caixa Econômica Federal, Copel/Governo do Estado do Paraná, Governo Federal - Ministério do Turismo, Ministério da Cultura / Lei de Incentivo à Cultura. Ingressos: À venda no Royal Plaza Shopping (Rua Mato Grosso, 310) – ponto exclusivo.Bilheteria:(43) 3344-6197. Informações: (43) 3324-9202.

