Sempre um desafio

Um grande desafio a cada ano. Este é o sentimento de toda a equipe organizadora do FILO. Um desafio que ultrapassa os limites do sensato, invade a privacidade das pessoas que têm a função – ou missão – de manter vivo esse nosso FIL(H)O. Ou filhos, uma vez que o parto se repete.
Relendo alguns editoriais das publicações do Festival de anos passados, percebo que nos últimos anos o tom do discurso vem sendo amenizado e, em muitas vezes, contemporizado. As dificuldades foram menores? Não, certamente, não!
Não que os problemas a cada ano não se repitam e, às vezes, pareçam intransponíveis. Nosso objetivo é sempre corrigir erros e trajetórias para oferecer aquilo que todos esperam do evento que se tornou um marco histórico e um patrimônio da nossa cidade, do Estado e do País.
A dimensão do Festival de Londrina não pode ser medida pelo caráter efêmero de cada edição. Temos que lembrar que no ano passado comemoramos o 40º aniversário do Festival e tivemos em Londrina grandes nomes da cena mundial, além de artistas nacionais e locais em uma festa grandiosa. Apesar de todo cuidado e esforço, enfrentamos enormes dificuldades para realizar o evento. Mas o que se viu em Londrina foi uma programação de qualidade indiscutível, mostrando que o FILO enfrenta dificuldades para manter sua excelência com a disposição dos primeiros anos, a experiência de décadas e a teimosia que o consolida como um dos maiores acontecimentos das artes cênicas do Brasil e da América Latina.
Em 2009, ano em que explode a crise internacional, mais uma vez teremos que quebrar os muros do contingenciamento, pescar em águas inóspitas e reavivar a chama da criatividade para propiciar um Festival digno de sua reputação.
Com a confiança valiosa de nossos patrocinadores de todos os anos, de novos parceiros e da Universidade Estadual de Londrina – nossa parceira de sempre – conseguimos incluir mais de uma centena de apresentações com 50 companhias e artistas, sem contar as atrações musicais e performáticas do Pontos de Encontro do FILO. Além disso, oferecemos uma grande quantidade de atividades formativas, oficinas, workshops, palestras, bate-papos e os projetos socioculturais que contribuirão para o aprimoramento de nossos estudantes, profissionais de artes cênicas e do público em geral.
E, como o FILO já passou por praticamente todas as etapas, por todos os corredores, todas as salas geladas do poder, seguimos com a sensação do dever e do prazer cumprido.
Que a chama nunca se apague e que o brilho dos artistas que compõem a programação do FILO 2009 mais uma vez transforme nossa cidade no palco do mundo.

Luiz Bertipaglia
Diretor do FILO

 

HISTÓRIA

O Festival Internacional de Londrina é o mais antigo do continente e uma parte importante da história cultural do País. Criado em 1968, o Festival de Londrina cumpriu um roteiro cultural e histórico, registrando e fazendo a travessia dos períodos sóciopolíticos que marcaram de forma contundente as quatro últimas décadas de nossa história.

Conhecido por apresentar espetáculos de reconhecido valor artístico, estético e de reflexão crítica, todos os anos o FILO transforma Londrina em um grande palco de encontros de artistas, idéias, expressões e público.

Em 20 anos, evoluiu de local para regional, de nacional para latino-americano e internacional. Sempre antecipando conceitos de liberdade de expressão, democracia, cidadania e globalização. Em 1988, o Festival realizou a Mostra Latino-Americana de Teatro, a primeira do Brasil. Um marco histórico para nosso País. Grupos teatrais apresentavam um painel de inquietude, de mudanças e de crítica social.

Desde então, o Festival tornou-se internacional e hoje é reconhecido mundialmente, tendo recebido expoentes do teatro universal como Kazuo Ohno, Odin Teatret e Eugênio Barba, De la Guarda, Wim Vandekeybus & Última Vez, Les Ballets C. de la B., Derevo, Volksbühne, Carbono 14, Theatre des Bouffes du Nord (companhia de Peter Brook), bem como os grandes nomes do teatro nacional.

Além da grande mostra das diferentes tendências contemporâneas das artes, o Festival realiza programações voltadas a comunidades vulneráveis e excluídas do processo criativo, democratizando a produção, o acesso e a fruição dos bens e serviços culturais.

Inclusão cultural de comunidades e grupos vulneráveis e excluídos é a proposta dos projetos socioculturais, desenvolvidos desde 2.000 como forma de estimular o potencial inventivo e permitir a expressão da criatividade desses grupos, que deixam de ser espectadores e passam a ser criadores.

A atuação do FILO passa também pela preocupação com ações que contribuam para a pesquisa, a produção e circulação das artes para a infância no Brasil. A programação de espetáculos infantis é reflexo da preocupação constante do evento em trabalhar a formação de cidadãos, de um público atento e crítico, e em apresentar a diversidade cultural para crianças, promovendo uma integração social e estética.

A inclusão do Cabaré FILO, em 1989, na programação do Festival enfatizou ainda mais seu caráter de festival de todas as artes. Ocupando antigos barracões de café, fábricas desativadas, oficinas mecânicas, hangares e espaços públicos, o Cabaré aproveitou cada lugar escolhido e o transformou em um painel de multiplicações artísticas. A música sobe ao palco, o teatro canta, as artes plásticas se movimentam e as tribos da cidade encontram uma aldeia de tons, ritmos, cores, luzes, letras.

 

FILO - Quatro Décadas

Na comemoração dos seus 40 anos, em 2008, o Festival Internacional de Londrina realizou um encontro de diferentes escolas teatrais, trabalhos cênicos e linguagens. De pessoas e culturas tão distintas, porém, igualmente voltadas para o poder transformador do “fazer teatral”.

Em suas quatro décadas de história, o Festival foi imprescindível para o desenvolvimento da cultura – no Estado e no País. Visionário como poucos, soube traçar sua história mantendo os valiosos princípios do respeito e da valorização da diversidade cultural - a base para o fim maior que é a democratização da cultura, a construção da cidadania e a valorização do artista em todos os seus aspectos.

Nesses anos, preparou atores e fomentou o exercício da cultura; interferiu no cotidiano e provocou a sociedade, levando-a a novos questionamentos, formando um público especial, instigado constantemente por novos estímulos.

A amplitude do FILO em sua atuação na construção de uma cidadania através da cultura teve o reconhecimento da Unesco que, no ano 2.000, autorizou a inclusão de sua chancela no material promocional do Festival, sob a assinatura de Apoio Institucional.

Considerado um Patrimônio Cultural da Cidade, do Estado e do teatro brasileiro, o Festival Internacional de Londrina é uma realização da AMEN – Associação dos Amigos da Educação e Cultura Norte do Paraná e da UEL - Universidade Estadual de Londrina.

 

 

 

 

 

 

 

 


Festival Internacional de Londrina 2009
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