FILO 2010

A permanência do efêmero

Um festival, mais do que uma festa ou celebração é um momento. Efêmero e transitório, muitas vezes passa despercebido por grande parte da população. Uma pena, mas inevitável. Por outro lado, aqueles que têm a oportunidade de participar desse acontecimento, de degustar novos sabores e beber na fonte da arte são os felizardos que usufruem do momento transformador que o teatro e as outras artes proporcionam. Quem viu Kazuo Ohno no palco do Teatro Ouro Verde, em 1992, vai entender bem o que isso significa - e sabe que ele nunca vai morrer.

O FILO, nestes seus 42 anos, vem se adaptando a novas realidades, mirando novos panoramas, proporcionando ao nosso público um passeio pelas mais diversas formas de expressões artísticas, promovendo o diálogo entre o passado, o presente e o futuro.

O estranhamento, o encontro com as novas formas e com novos conteúdos sempre nos causa uma sensação boa, depois que deciframos seus códigos. Como é bom ver uma paisagem estranha e bonita pela primeira vez! Como é interessante encontrar uma surpresa agradável dentro de um teatro escuro que, aos poucos, vai se iluminando e mostrando os seus segredos – se revelando!

Nesta edição, mais uma vez a diversidade de estilos, técnicas e tendências estão presentes em nossa programação com mais de cinquenta espetáculos para todos os públicos e idades. No entanto, temos sempre que contar com a expectativa crescente do público, da imprensa, dos patrocinadores, enfim, de todos aqueles que esperam a cada ano uma novidade, uma transformação. Uma celebração inédita. Pois bem, estamos todos a postos para tratar de questões universais e particulares, e de outros temas que desafiam a experiência humana.

Nossos convidados para esta celebração?
Érico Veríssimo, Shakespeare, Koltès, Nelson Rodrigues, Ibsen, Plínio Marcos, Mozart, Kazuo Ohno entre outros seres vivos…

Luiz Bertipaglia
Diretor do FILO

História

O Festival Internacional de Londrina é o mais antigo do continente e uma parte importante da história cultural do País. Criado em 1968, o Festival de Londrina cumpriu um roteiro cultural e histórico, registrando e fazendo a travessia dos períodos sóciopolíticos que marcaram de forma contundente as quatro últimas décadas de nossa história.

Conhecido por apresentar espetáculos de reconhecido valor artístico, estético e de reflexão crítica, todos os anos o FILO transforma Londrina em um grande palco de encontros de artistas, idéias, expressões e público.

Em 20 anos, evoluiu de local para regional, de nacional para latino-americano e internacional. Sempre antecipando conceitos de liberdade de expressão, democracia, cidadania e globalização. Em 1988, o Festival realizou a Mostra Latino-Americana de Teatro, a primeira do Brasil. Um marco histórico para nosso País. Grupos teatrais apresentavam um painel de inquietude, de mudanças e de crítica social.

Desde então, o Festival tornou-se internacional e hoje é reconhecido mundialmente, tendo recebido expoentes do teatro universal como Kazuo Ohno, Odin Teatret e Eugênio Barba, De la Guarda, Wim Vandekeybus & Última Vez, Les Ballets C. de la B., Derevo, Volksbühne, Carbono 14, Theatre des Bouffes du Nord (companhia de Peter Brook), bem como os grandes nomes do teatro nacional.

Além da grande mostra das diferentes tendências contemporâneas das artes, o Festival realiza programações voltadas a comunidades vulneráveis e excluídas do processo criativo, democratizando a produção, o acesso e a fruição dos bens e serviços culturais.

Inclusão cultural de comunidades e grupos vulneráveis e excluídos é a proposta dos projetos socioculturais, desenvolvidos desde 2.000 como forma de estimular o potencial inventivo e permitir a expressão da criatividade desses grupos, que deixam de ser espectadores e passam a ser criadores.

A atuação do FILO passa também pela preocupação com ações que contribuam para a pesquisa, a produção e circulação das artes para a infância no Brasil. A programação de espetáculos infantis é reflexo da preocupação constante do evento em trabalhar a formação de cidadãos, de um público atento e crítico, e em apresentar a diversidade cultural para crianças, promovendo uma integração social e estética.

A inclusão do Cabaré FILO, em 1989, na programação do Festival enfatizou ainda mais seu caráter de festival de todas as artes. Ocupando antigos barracões de café, fábricas desativadas, oficinas mecânicas, hangares e espaços públicos, o Cabaré aproveitou cada lugar escolhido e o transformou em um painel de multiplicações artísticas. A música sobe ao palco, o teatro canta, as artes plásticas se movimentam e as tribos da cidade encontram uma aldeia de tons, ritmos, cores, luzes, letras.

Em mais de quatro décadas de história, o Festival foi imprescindível para o desenvolvimento da cultura – no Estado e no País. Visionário como poucos, soube traçar sua história mantendo os valiosos princípios do respeito e da valorização da diversidade cultural - a base para o fim maior que é a democratização da cultura, a construção da cidadania e a valorização do artista em todos os seus aspectos.

Nesses anos, preparou atores e fomentou o exercício da cultura; interferiu no cotidiano e provocou a sociedade, levando-a a novos questionamentos, formando um público especial, instigado constantemente por novos estímulos.

A amplitude do FILO em sua atuação na construção de uma cidadania através da cultura teve o reconhecimento da Unesco que, no ano 2.000, autorizou a inclusão de sua chancela no material promocional do Festival, sob a assinatura de Apoio Institucional.

Considerado um Patrimônio Cultural da Cidade, do Estado e do teatro brasileiro, o Festival Internacional de Londrina é uma realização da AMEN – Associação dos Amigos da Educação e Cultura Norte do Paraná e da UEL - Universidade Estadual de Londrina.

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